Tesouro Direto atrai com baixo risco e bom retorno

Posted by on janeiro 11, 2017 in Artigos, Investimentos | Comentários desativados em Tesouro Direto atrai com baixo risco e bom retorno

Tesouro Direto atrai com baixo risco e bom retorno

Com a baixa rentabilidade da poupança em um cenário de inflação e juros em alta, a procura pelos papéis do Tesouro Nacional ganha fôlego. Além do melhor retorno, o fácil acesso e o baixo risco também são fatores que explicam o interesse por esse investimento. O tipo de papel mais atraente dentro desse universo, no entanto, muda conforme o perfil do investidor. Vale lembrar que antes de fazer escolhas é preciso considerar uma série de pontos, como o destino do dinheiro aplicado, o valor a ser poupado, o prazo de investimento e a necessidade de resgate diária, além de aversão a riscos da pessoa que está adquirindo o título.

“Se o objetivo for algo para o curto prazo, ou seja, de resgate em até um ano, o recomendável seria uma LFT Selic”, diz Deborah Bloise, operadora de home broker da Coinvalores. O Tesouro Selic é reajustado diariamente pela taxa básica de juros. “Não há muita variação no caso de vender antecipado”, diz Samy Dana, professor da Fundação Getúlio Vargas. Ele lembra que os papéis do Tesouro Direto são bastante ‘democráticos’ visto que um investidor pode aportar desde R$ 30 até R$ 1 milhão, além da liquidez diária. Já para médio e longo prazos, os especialistas sugerem as NTN-­B, indexadas ao IPCA. “Ele não sabe quanto dinheiro vai ter, mas sabe quanto vai valer”, diz Rogério Manente, gerente de home broker da Socopa. “A grosso modo, é um papel que garante poder de compra no futuro”, diz Mauro Morelli, estrategista chefe de investimentos do Citi.

Com a evolução do investidor, cada vez mais interessado pelo campo da educação financeira, os agentes dizem que hoje lidam com pessoas de perfil similar: muitas estão dispostas a poupar seus recursos em ‘caixinhas diferentes’. Isso quer dizer que estão de olho, ao mesmo tempo, em poupar para a aposentadoria ­ nesse caso a recomendação é o título atrelado à inflação com vencimento em 2024 ou 2035, por exemplo -­, em ter uma reserva de emergência ­- seria um Tesouro Selic -­ e “um valor restante”. O destino deste último item pode ser até mesmo a renda variável, dependendo do perfil do investidor. Para se ter ideia de retorno, de acordo com dados do Tesouro Direto fornecidos pela XP Investimentos, a rentabilidade bruta de papéis atrelados à inflação com vencimento em 2024 está na casa dos 27,68% considerados os últimos 12 meses.

Seguindo viés contrário ao da poupança, que acumula retirada histórica, o estoque de Tesouro Direto cresceu 78,5%, para R$ 32,8 bilhões, na comparação entre os meses de junho deste ano e o de 2015. Segundo dados do governo, os títulos remunerados por índices de preços como o IPCA e o IGP­M respondem por 61,8% do estoque. “A compra desses papéis cresceu muito nos últimos anos porque a inflação é a grande vilã para todos os brasileiros, que buscam proteger seu poder de compra”, diz Bruno Saads, sócio da XP Investimentos. Ele lembra que apenas no último ano houve variação inflacionária próxima a 10% e o patamar ainda é alto. Já os papéis indexados à Selic corresponderam à fatia de 20,6% do estoque em junho e, os prefixados, por 17,5%, de acordo com os dados disponíveis.

Mesmo que o Tesouro Direto possa ser a alternativa interessante à poupança, vale a ressalva de que algumas opções devem ser feitas com cuidado. Ao escolher um papel prefixado, se houver a necessidade de resgatá­lo antes do vencimento, pode haver perdas. “Sair da poupança para o Tesouro Direto parece uma evolução natural. Mas dependendo do caso, pode haver o risco de oscilação de preços de mercado”, diz Morelli.

Momento Valor: Matéria de 24/08/16 do jornal Valor Econômico por Érica Polo