Queda nos juros favorece papéis de construtoras

Posted by on janeiro 16, 2017 in Artigos, Investimentos | Comentários desativados em Queda nos juros favorece papéis de construtoras

Queda nos juros favorece papéis de construtoras

Apesar de o corte da taxa básica de juros da economia favorecer praticamente todas as empresas de construção, algumas serão mais beneficiadas do que outras. As companhias mais favorecidas serão as que têm o maior endividamento. Além da redução da dívida, a queda nos juros pode aquecer a demanda por imóveis, no médio e longo prazos, o que vai favorecer o caixa das empresas. Na quarta-­feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia em 0,75 ponto percentual, para 13% ao ano.

Para escolher quais ações investir, o analista Felipe Silveira, da Coinvalores, usa um indicador que mede a dívida líquida sobre o patrimônio líquido da companhia. Ele considera que uma empresa saudável do ponto de vista financeiro deveria ter um índice próximo a 50%. Por esse critério, as melhores ações seriam as ordinárias da Eztec, cujo indicador fica negativo em 7,8%. O valor negativo ocorre porque a empresa tem mais caixa do que dívida, o que faz com que a dívida líquida seja negativa.

Outras recomendações são os papéis ordinários da Cyrela, com índice de 29,1%, e as ações ordinárias da Even, com indicador em 56,8%. “São as empresas menos endividadas e com caixas mais líquidos”, diz. Os papéis ordinários da MRV também são uma boa aposta, já que a companhia participa do programa “Minha Casa, Minha Vida”, subsidiado pelo governo. O indicador da MRV é de 8,2%

A preferência de Silveira pelas ações das construtoras menos endividadas ocorre porque apenas a redução dos juros básicos da economia não será suficiente para melhor o caixa das construtoras. O aumento do desemprego, a queda da renda real e a demora na retomada do crescimento econômico são fatores que terão efeitos negativo sobre a receita dessas companhias “Esperamos que o início da retomada do mercado imobiliário só ocorra a partir do meio de 2018”, diz.

Com isso as empresas com mais dívida poderão ter um desempenho pior na bolsa de valores. É o caso da Gafisa, cujo indicador dívida líquida sobre o patrimônio líquido está em 49,2%, da Rossi, com índice de 228%, e da PDG, com indicador negativo em 342,4%. O número da PDG é negativo porque a companhia tem um patrimônio líquido negativo devido aos prejuízos. “Liquidez deve ser um problema neste ano e companhias com problemas para equacionar o seu fluxo de caixa devem continuar a sofrer na bolsa”, diz.

O analista Rafael Ohmachi, da Guide Investimentos, também considera que a tendência de queda nas taxas de juros deve favorecer as ações das construtoras nos próximos meses. “Entretanto, como ainda não houve uma retomada das vendas devido ao aumento do desemprego e à redução da renda real, o movimento de alta das ações pode não se sustentar por muito tempo”, diz.

Para ele, as ações mais beneficiadas com a redução dos juros serão de PDG, Rossi e Helbor porque são empresas com nível de endividamento elevado. Ohmachi, entretanto, não recomenda a compra desses papéis. A Guide aposta nas ações das Eztec e da Direcional, que têm menos dívidas e maior caixa financeiro. Os papéis da MRV, que tem foco na habitação popular, também são uma opção de investimento, já que o programa “Minha Casa, Minha Vida” subsidia a compra de imóveis.

Momento Valor: Matéria de 16/01/17 do jornal Valor Econômico por Chrystiane Silva