Poupança volta a ganhar da inflação com IPCA menor

Posted by on janeiro 12, 2017 in Artigos, Investimentos | Comentários desativados em Poupança volta a ganhar da inflação com IPCA menor

Poupança volta a ganhar da inflação com IPCA menor

Graças ao IPCA mais amigável em 2016 -­ que fechou em 6,29%, ante 10,67% em 2015 ­- a poupança voltou a exibir retorno acima da inflação, de 1,9%. Segundo levantamento da Economática, o resultado é o melhor desde 2009, quando a caderneta rendeu 2,63% mais do que o índice oficial de custo de vida. Isso significa que o poupador teve ganho de poder aquisitivo, depois de um 2015 em que houve perda real de 2,28%. Mas antes que o aplicador se empolgue com tal desempenho, com a continuidade do ciclo de redução da taxa Selic, outras opções de renda fixa tão conservadoras quanto tendem a propiciar retornos bem superiores ao do popular investimento.

Conforme calcula o analista Roberto Indech, da corretora Rico, o Tesouro Selic (ou LFT) promete ter em 2017 a melhor rentabilidade real dos últimos nove anos, de 6,67%, considerando­-se uma Selic média de 12% e inflação na casa dos 5%. Em 2016, o ganho real com os títulos pós-­fixados foi de 4,73% e nesse horizonte avaliado o melhor resultado tinha sido em 2007, quando renderam 8,01% acima da inflação. “O investidor, gradualmente, tem tomado consciência de que a poupança não é a melhor alternativa e o Tesouro Direto tem sido a porta de entrada”, diz Indech. “O Tesouro Selic tem retorno superior, liquidez diária e a aplicação é tão simples quanto na poupança. É um começo, depois ele vai para ativos mais rentáveis.”

No ano passado, a poupança teve resgates líquidos de R$ 40,7 bilhões e, em 2017, até o dia 5, atraiu R$ 3,5 bilhões. Ainda assim há uma montanha de recursos na aplicação, que reúne R$ 669,8 bilhões e que poderia ter uma alocação mais eficiente.

“Quando se compara a qualquer aplicação atrelada ao CDI, como um CDB de banco, Tesouro Direto ou mesmo um fundo DI, a poupança se prova um péssimo investimento”, diz Arnaldo Curvello, diretor da Ativa Wealth Management. “Mesmo que existam condições para a mudança de cálculo, vai ter produto que vai render melhor, porque quando a caderneta começa a valer a pena, vem a mudança de regra.” A norma do BC determina que se a Selic cair abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento será equivalente a 70% da taxa básica. A fórmula corrente é de 0,5% ao mês mais a TR. Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,75 ponto percentual, a 13% ao ano, em dose acima da prevista pelo consenso do mercado, de 0,50 ponto.

“Apesar de os juros em queda tornarem a poupança um pouco menos ruim, a aplicação continuará provavelmente perdedora quando comparada com investimentos equivalentes”, diz Chow Juei, gestor de recursos Spinelli Corretora. Para quem migra da caderneta, afirma, o Tesouro Selic é uma boa alternativa, pois não há risco de mercado, já que o retorno segue em linha com a taxa básica, e porque se trata de crédito soberano, ou seja, o investidor estará emprestando dinheiro para o governo.

Numa segunda etapa, dependendo da fase de vida, planejamento financeiro e capacidade de tomar riscos, Juei diz que o investidor pode distribuir os recursos em títulos públicos indexados à inflação e em prefixados. “O pré é o melhor, mas ainda há muitos riscos nos Estados Unidos, Brasil em relação à cena política e econômica. O cenário­base caminha para a redução do juros, mas há sempre a chance de isso não se concretizar.”

Ontem, antes de o Copom definir a nova Selic, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2023 apontava retorno de 11,37% ao ano, enquanto o Tesouro IPCA+ com resgate em 2035, 5,70% mais a inflação. Em crédito privado há opções isentas de imposto, como as debêntures da CCR, com vencimento em 2020 e rentabilidade equivalente ao Tesouro IPCA + de 2020, que ontem tinha taxa indicativa de 5,81%. Não se compara aos minguados 2% da caderneta.

Há chances de a performance da poupança neste ano não repetir os ganhos reais observados em 2016 e, num momento de redução de juros, mais relevante é repensar os investimentos, diz Marco Saravalle, analista da XP Investimentos. “O Tesouro Direto tem rentabilidades muito melhores e com os mesmos volumes que se colocaria na poupança, já que o aplicador pode comprar a fração de um título. Ele vai ter que deixar a comodidade e a preguiça de lado”, afirma. “Com a Selic a 10, 9 ou 11%, a poupança não vai ser a melhor opção.”

Momento Valor: Matéria de 12/01/17 do jornal Valor Econômico por Adriana Cotias