NTN-B é o ativo para quem chega agora ao rali

Posted by on abril 1, 2016 in Artigos, Investimentos, Planejamento Financeiro | Comentários desativados em NTN-B é o ativo para quem chega agora ao rali

NTN-B é o ativo para quem chega agora ao rali

O investidor que não aproveitou os ralis da bolsa, do real e dos juros no primeiro trimestre, certamente se pergunta se ainda dá tempo de embarcar na onda de otimismo com o Brasil. Entrar agora exige cautela, dizem alocadores de patrimônio. Caso a intenção seja aumentar a posição em algum ativo, para aproveitar a oportunidade, a indicação mais consensual é das NTN­-Bs, títulos públicos que pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação.

“Os preços de alguns ativos já refletem não só o fim da crise, mas um novo governo com apoio do congresso, com maioria suficiente para aprovar reformas fiscais de curto prazo e estruturais”, afirma Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management.

Hoje o UBS só tem recomendação “overweight”, ou seja, acima do peso padrão recomendável para o portfólio, para as NTN­-Bs. A curva de juros, que reflete as expectativas do mercado para a taxa, já incorpora um primeiro ciclo de corte, diz Patah. Para ele, entretanto, se o câmbio seguir estável em um patamar mais baixo, a inflação pode voltar à meta por volta de 2017 e 2018, abrindo espaço para uma segunda fase de corte. Quando o mercado começar a enxergar esse movimento, os prêmios caem, e os papéis comprados hoje ganham valor.

Quem comprou NTN­-Bs no fim do ano passado já assimilou uma parte da valorização. O IMA­B, índice que reflete a variação de uma cesta de títulos indexados à inflação de diferentes prazos, teve valorização de 9,75% no primeiro trimestre.

Mesmo depois da valorização recente, o título indexado à inflação é o ativo que ainda não reflete inteiramente a nova onda de otimismo também na opinião de Sylvio Castro, responsável pela gestão de fundos restritos e estruturados do private banking da Credit Suisse Hedging­Griffo (CSHG). A CSHG acaba de dobrar a fatia do portfólio dos clientes em NTN­-Bs e alongar um pouco os vencimentos, de um prazo máximo de 2019 para 2021. Para um investidor moderado, a indicação hoje é ter 20% do portfólio nesses títulos, contra os 10% propostos estruturalmente.

A decisão de alongar a carteira não foi somente da CSHG. A explicação é que ela potencializa os ganhos no caso de um ajuste nas expectativas para os juros. As NTN­-Bs preferidas hoje pelos alocadores têm vencimento entre 2020 e 2035. Ontem, no Tesouro Direto, sistema de venda on­line de títulos públicos à pessoa física, esses papéis eram oferecidos com taxa entre 6,39% e 6,52%, mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Castro faz uma simulação em que a taxa prefixada do título com vencimento em 2021, hoje um pouco superior a 6%, cai para perto de 5,5%, e o investidor embolsa 3 pontos percentuais além do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial para aplicações conservadoras.

O investidor que não aproveitou os ralis da bolsa, do real e dos juros no primeiro trimestre, certamente se pergunta se ainda dá tempo de embarcar na onda de otimismo com o Brasil. Entrar agora exige cautela, dizem alocadores de patrimônio. Caso a intenção seja aumentar a posição em algum ativo, para aproveitar a oportunidade, a indicação mais consensual é das NTN­Bs, títulos públicos que pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação.É por esse potencial das NTN­-Bs que os alocadores de patrimônio têm lutado contra a opção preferida dos investidores em momentos de incerteza: títulos pós-fixados, que rendem o CDI. “A nossa recomendação é vender esses papéis”, diz Patah, do UBS. O banco está com recomendação abaixo da estrutural para o ativo. Se a expectativa é de queda dos juros, defende, o ideal é garantir logo as taxas prefixadas. “Talvez o investidor não tenha mais oportunidade de travar algo na faixa de 13,5%”, completa.

A visibilidade trazida pela NTN-­B é seu maior trunfo frente aos outros ativos na opinião de Charles Ferraz, chefe de investimentos do private banking do Itaú Unibanco. “Você sabe que, se levar até o vencimento, vai ter seu capital corrigido pela inflação nesse prazo”, diz. Para ele, entretanto, não restou ativo que seja uma oportunidade imperdível, dado que o mercado já incorporou nos preços muito de um cenário mais positivo. Para quem vai entrar agora, Ferraz recomenda uma compra equilibrada, entre títulos indexados à inflação, ações e moeda.

Tentar acertar movimentos no dólar é a opção menos recomendada. Depois do movimento de março, uma desvalorização de 10,12% ante o real, e na mesma toada de otimismo com o Brasil, o investidor poderia se sentir tentado a montar uma posição vendida na moeda americana. Ferraz acha arriscado e inclusive prefere manter dólar comprado, como um elemento de diversificação do portfólio. Para ele, em um cenário muito positivo, em que entram dólares no país, o Banco Central vai atuar em algum momento para conter uma valorização excessiva do real. “E, se tudo piorar, o dólar tem um espaço grande para andar e o BC vai deixar”, acredita.

Também para Castro, da CSHG, o cenário para o câmbio nos próximos meses tende a ser de estabilidade. Os clientes do banco estão menos expostos a variações da moeda americana hoje porque os multimercados que têm nos portfólios reduziram de forma significativa as posições em dólar contra real, que carregavam há cerca de dois anos. Para o investimento no exterior, entretanto, a decisão foi não fazer hedge, ou seja, manter a exposição à moeda americana.

Ao manter uma posição em dólares e ampliar em NTN-­Bs, é possível reduzir o risco do portfólio, aponta Castro. Isso porque há uma correlação negativa entre a moeda americana e as NTN-­Bs ­ neste momento, por exemplo, o dólar perde valor ante o real ao mesmo tempo em que os títulos indexados valorizam­-se, com o ajuste para baixo nas expectativas paro os juros.

Momento Valor: Matéria de 01/04/16 do jornal Valor Econômico por Luciana Seabra