Carteira Valor Abril – Câmbio dá lugar à economia doméstica

Posted by on abril 4, 2016 in Artigos, Investimentos, Planejamento Financeiro | Comentários desativados em Carteira Valor Abril – Câmbio dá lugar à economia doméstica

Carteira Valor Abril – Câmbio dá lugar à economia doméstica

A tese de dólar forte, que sustentou a indicação de empresas exportadoras para a Carteira Valor nos últimos meses, caiu. Com a desvalorização de 10,12% da moeda americana em março, o setor de papel e celulose, que tanto rendeu ganhos de um ano para cá, deixou o portfólio. No pós-­rali, as corretoras optaram por uma virada. Metade delas trocou quatro ou cinco indicações de março para abril. Na Carteira Valor, com as dez ações mais indicadas, seis papéis foram substituídos.

Não foi sem estragos que o grupo das exportadoras, que permitia à carteira superar o Ibovespa, partiu. Fibria, com prejuízo de 22,05%, e Suzano, com menos 15,52%, assim como São Martinho, outra exportadora, com queda de 0,66%, pesaram para que o portfólio ficasse bem abaixo do Ibovespa no mês. O ganho foi de 3,08%, contra 16,97% do principal índice da bolsa brasileira. No ano, o portfólio tem prejuízo de 3,51%, ante retorno de 15,47% do Ibovespa.

A carteira ganhou ares mais domésticos em abril. As novidades são Lojas Renner e CCR, empatadas com três indicações, Cielo, Ambev, Kroton e Equatorial, cada uma com duas.

Pela qualidade da gestão, Lojas Renner foi eleita pelas corretoras como a varejista mais bem preparada para ganhar com um cenário interno positivo, com a volta do consumo. “A retomada da confiança, que está em níveis extremamente baixos, pode pelo menos estancar a sangria”, afirma Roberto Indech, analista de investimentos da corretora Rico.

A varejista implantou um rígido controle de gastos com projetos de ganho de eficiência e redução de custos, o que tem permitido elevar as margens, destaca também sobre Lojas Renner a equipe de analistas da Geração Futuro.

A tese para CCR, que assim como Renner surge no portfólio de abril já com três indicações, está também ligada ao otimismo recente com o país. Assim como as demais empresas do setor de infraestrutura, a concessionária de rodovias sofreu nos últimos tempos com os juros elevados, já que precisa trabalhar alavancada em grandes projetos, explica Renato Hallgren, analista do BB Investimentos. A escalada da inflação também era negativa para a companhia, já que parte da dívida é atrelada ao índice de preços.

A tese de dólar forte, que sustentou a indicação de empresas exportadoras para a Carteira Valor nos últimos meses, caiu. Com a desvalorização de 10,12% da moeda americana em março, o setor de papel e celulose, que tanto rendeu ganhos de um ano para cá, deixou o portfólio. No pós­rali, as corretoras optaram por uma virada. Metade delas trocou quatro ou cinco indicações de março para abril. Na Carteira Valor, com as dez ações mais indicadas, seis papéis foram substituídos.Com a inflação mais sob controle e a expectativa de que os juros ao menos não sejam elevados, a CCR deve ter um segundo trimestre muito melhor do que o mesmo período do ano passado, afirma Hallgren. Por enquanto, a melhora fica concentrada no lado financeiro, considera, já que o crescimento na receita por conta do maior volume de veículos nas rodovias deve demorar. Como esse é um papel tradicionalmente escolhido pelo investidor estrangeiro, que tem voltado às compras na bolsa brasileira, o analista do Banco do Brasil acredita que há potencial de alta nos preços dos atuais R$ 14 para mais de R$ 17.

A tese para Ambev também está ligada ao consumo, com a expectativa das corretoras de que a empresa avance no segmento premium, o que deve favorecer a margem Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Apesar da pressão que ocorre pelo aumento de impostos sobre bebidas, a empresa consegue manter forte geração de caixa e distribuição regular de dividendos, aponta a Geração Futuro.

Sobre a exposição ao câmbio, como exportadora, o Citi destaca que Ambev está positivamente atrelada à desvalorização do real, já que tem ‘hedge’ em patamares confortáveis frente ao preço atual do dólar, ou seja, montou operações financeiras para se proteger da volatilidade da moeda.

O setor de educação volta a aparecer no portfólio de abril representado por Kroton, mesmo depois do retorno de 15,61% em março. Para Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos, foram mitigados os riscos atrelados ao setor, surgidos na virada do ano com as mudanças nas regras do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal.

Entre as companhias do segmento, considera Ohmachi, Kroton destaca­se pela agilidade da equipe de gestão, que conseguiu reestruturar a empresa mesmo em meio a mudanças econômicas e regulatórias. O quadro financeiro, soma, é confortável.

O argumento da boa gestão, que faz a empresa se destacar em meio aos pares, aparece ainda na defesa da distribuidora de energia elétrica Equatorial. Os analistas da Ativa Investimentos destacam a capacidade da empresa de incorporar rapidamente as aquisições, como da paraense Celpa. E afirmaram ainda que têm expectativa de novas compras no segmento de distribuição.

Enquanto a tese das exportadoras ficou no passado, a do setor financeiro persiste. Além da novata Cielo, apontada por duas corretoras, Itaú Unibanco e BB Seguridade voltam a reinar, empatadas, com seis indicações cada. E, nesse caso, o rali de março foi expressivo. A ação do Itaú subiu 22,95% e a da BB Seguridade, 23,13%. Cielo vem um pouco atrás, com 13,70%.

Cielo conta com consistente histórico de resultados e expectativa de aceleração no crescimento de lucros ao longo dos próximos anos por meio da redução da alavancagem financeira, aponta a Citi Corretora. Nos cálculos da equipe da casa, isso vai proporcionar simultaneamente o aumento dos dividendos e a queda da relação entre dívida líquida e Ebitda, de 1,8 vez para 0,5 vez em 2018.

Ao trocar BRF por Cielo nas indicações para o portfólio de abril, o Citi indicou que teve a intenção de reduzir a postura defensiva. “Em virtude da melhora na percepção de risco, mas não esquecendo os fundamentos macroeconômicos ainda bastante fracos, estamos elevando ligeiramente o beta da carteira”, escreve a equipe.

Há mais de um ano na Carteira Valor, Itaú Unibanco também é um caminho para maior aderência do portfólio ao desempenho do índice, de acordo com o Citi, pela grande representatividade no Ibovespa. Além disso, considera que o banco tem apresentado resultados consistentemente acima das expectativas e paga dividendos acima da média do mercado.

Itaú Unibanco é também uma indicação da Ativa pela capacidade histórica de reagir bem a períodos de elevada inadimplência. As despesas administrativas, apontam os analistas da corretora, têm crescido a taxas inferiores às tarifas bancárias.

Fechando o trio financeiro, BB Seguridade, também figura repetida no portfólio há mais de um ano, é uma excelente opção defensiva segundo a equipe do Citi. Os lucros devem crescer em um patamar médio superior a 10% ao ano, estima, pelos próximos três anos.

Momento Valor: Matéria de 04/04/16 do jornal Valor Econômico por Luciana Seabra